Evento que reúne centenas de empregados de todo país, aprova resoluções para negociações do Saúde Caixa
Nos dias 21 e 22 de agosto de 2025, em São Paulo (SP), foi realizado o 40º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (CONECEF). O encontro reuniu 273 delegados de todo o país para debater temas fundamentais, como Saúde Caixa, Funcef, condições de trabalho e a defesa da Caixa 100% pública.
Logo na abertura, o congresso lançou um manifesto de tolerância zero contra violência e assédio. As entidades representativas destacaram: “Se queremos nos desfazer do problema da violência e do assédio nos locais de trabalho, reuniões e na sociedade, primeiro devemos estabelecer um modelo a seguir nesta organização”. Também alertaram que “o assédio cria sentimentos de temor, desconforto, humilhação e incômodo” e reafirmaram que “todas as atividades, eventos e reuniões da Contraf, Federações e Sindicatos são espaços onde não será tolerada a presença desses atos”.
Para a presidente da AGECEF/BH, Giuliana Dias Pardini, este é um tema que precisava ser colocado em pauta. “Apesar da empresa lançar campanha e canais de denúncia, o assédio sexual ainda é realidade. A convivência com determinados casos precisa acabar”, comentou.
Defesa da soberania nacional
Durante o seu discurso na abertura do CONECEF, a presidente da Contraf-CUT e vice-presidente da CUT, Juvandia Moreira, fez um importante reforço à luta pela soberania nacional, ressaltando que o enfrentamento aos ataques dos Estados Unidos, por meio de Donald Trump, não depende só das ações do governo, mas de toda a população e da unidade do movimento sindical bancário. “Sofremos com as reformas trabalhistas, ataques aos direitos da classe trabalhadora, com a terceirização irrestrita, pjotização, que resultaram no enfraquecimento da previdência pública, além da própria reforma que a previdência sofreu. Perdemos ainda patrimônio público, com vendas de BR Distribuidora, Eletrobras, Sabesp (com prejuízo de R$ 4 bilhões)”, resumiu a dirigente.
Juvandia defendeu ainda a reforma tributária com taxação aos mais ricos para aliviar a sobrecarga de impostos da população mais carente. “Por isso, vamos seguir ampliando a divulgação do Plebiscito Popular. Se depender de boa parte do congresso, eles não vão impedir a cobrança do andar de cima. Não trabalham, como deveriam, para a população que os elegeu, mas para o mercado, o mesmo que diz que o governo é gastão, porque investe em políticas sociais. Mas isso não é ser um Estado gastão. O que o mercado não fala é que o Brasil já abriu mão de R$ 800 bilhões de reais [com juros do título da dívida pública, por causa da elevada Selic], dinheiro que daria para fazer vários bolsas famílias, resolver a saúde pública e a educação, acabar com a miséria no Brasil”, pontuou Juvandia.
Saúde Caixa
A saúde mental foi um dos pontos centrais dos debates sobre o Saúde Caixa. Ansiedade, estresse e depressão estão entre as principais causas de afastamento do trabalho, segundo pesquisa realizada pela Fenae em 2025. O estudo aponta que fatores como novos modelos de gestão, ataques aos direitos trabalhistas, ritmo intenso de trabalho, falta de pessoal, pressão e assédio moral elevam a incidência de transtornos mentais entre bancários.
Entre os afastamentos registrados pelo INSS em 2024, mais de 50% tiveram origem em questões de saúde mental. Na Caixa, o índice chega a quase 70%.
Giuliana Pardini reforçou a preocupação:
“Pesquisas mostram que o adoecimento mental cresceu significativamente como motivo de afastamento dos empregados da Caixa, especialmente nos últimos anos. Mesmo assim, a empresa insiste em não aumentar sua participação no custeio do Saúde Caixa. Essa conta não pode ficar apenas para os trabalhadores. É um tema complexo, que exige entendimento e mobilização.”
Caixa 100% pública
Durante o congresso, representantes dos empregados reforçaram a necessidade de defender uma Caixa pública, forte e voltada para sua função social, livre de interesses políticos e essencial para a manutenção dos direitos dos trabalhadores e dos benefícios oferecidos pela instituição.
Funcef
Os debates foram abertos ressaltando os desafios que a Funcef terá nos próximos meses com a incorporação do REB, uma reivindicação antiga que estava sem solução e foi aprovada no início deste ano. Sobre o contencioso, o diretor de Benefícios da Funcef, Jair Ferreira explicou que este foi um conjunto de processos judiciais que envolvem a Fundação e a Caixa, resultante de relações de trabalho passadas e que impactam os planos de benefício da Funcef. Em dezembro de 2024, a Caixa e a Funcef assinaram um novo acordo operacional para solucionar as pendências, buscando reduzir os passivos judiciais com responsabilização da Caixa e garantir a sustentabilidade dos planos, um avanço significativo após anos de negociações.
Resoluções aprovadas
Entre os principais pontos aprovados estão o reajuste zero nas mensalidades do Saúde Caixa, com o fim do teto de gastos do banco com a saúde de seus empregados; defesa da Caixa e dos empregados; melhorias nos sistemas e nas condições de saúde e trabalho; respeito às questões técnicas para a definição das metas atuariais dos planos e adequação dos equacionamentos, considerando as reduções desnecessárias ou indevidas e o contencioso da Funcef.
Também estiveram presentes representando a AGECEF/BH, além da presidente Giuliana Pardini, os diretores e conselheiros Isaac Monteiro, Simone Lima, Gustavo Rosa e Janaina Cotta.
Departamento de Comunicação